O Outro Lado do Vale do Silício: O Que Santa Catarina Não Quer Ser 

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O outro lado do Vale do Silício: o que Santa Catarina não quer ser 

Ao mesmo tempo que o Vale do Silício, nos EUA, é uma das regiões mais ricas do mundo, desigualdade e demais questões socioeconômicas preocupam o grande polo tecnológico.

 

O Estado de Santa Catarina é considerada hoje como o Vale do Silício latino-americano. Com mais de 5% de sua economia vinda do setor de tecnologia, e respondendo por mais de R$ 15 bilhões anuais de faturamento, o Estado concentra a maior densidade de startups do Brasil. Levando em conta todos esses pontos, é notável a semelhança, dadas as devidas proporções, com o maior polo tecnológico do mundo, berço de gigantes da tecnologia como Google, Facebook e Apple, o Vale do Silício, na Califórnia.

E toda essa semelhança nos orgulha muito, considerando que estamos conseguindo desenvolver em nosso Estado um ambiente propício para o surgimento e manutenção de empresas de tecnologia, com soluções relevantes para a sociedade e que geram riqueza para Santa Catarina. No entanto, o estudo Índice do Vale do Silício 2019, produzido pelo Instituto do Vale do Silício, traz alguns dados alarmantes, que mostram porque precisamos nos preocupar com o desenvolvimento de Santa Catarina como um todo para não nos assemelharmos ao outro lado do Vale do Silício.

Segundo o levantamento, são elencados três principais problemas socioeconômicos gerados pela altíssima concentração de renda na região: o crescimento da desigualdade, o alto custo de vida, e a gentrificação, ou seja, o êxodo de moradores de renda mais baixa e a entrada de estrangeiros com maior poder aquisitivo.

O estudo identificou que, entre julho de 2015 e julho de 2018, o Vale do Silício recebeu 61 mil novos moradores, ao passo que perdeu mais de 64 mil residentes, que migraram para outras regiões da Califórnia e dos Estados Unidos.

A diferença de salários começou a aumentar, e o Vale do Silício passou a concentrar grande quantidade de multimilionários, influenciando a vida de profissionais comuns, que têm dificuldade pagar por aluguéis, produtos e serviços básicos, como educação, saúde e transporte.

Não apenas pessoas de baixa renda estão migrando para outras regiões em função do alto custo de vida e padrão salarial que existe hoje no Vale, mas até mesmo médicos e advogados — profissões consideradas de média remuneração na região —, algumas empresas de tecnologia também não estão conseguindo manter suas operações por lá.

O paralelo que queremos denotar aqui é que a Acate trabalha de maneira firme para desenvolver Santa Catarina como um todo, e não apenas as empresas de tecnologia, das quais representamos os interesses. Uma de nossas ações neste sentido que vale destacar é o conjunto de iniciativas voltadas à interiorização do setor de tecnologia, por meio das quais buscamos promover o desenvolvimento dos polos regionais, com o objetivo de evitar a concentração das empresas apenas nas regiões litorâneas e, assim, favorecer o desenvolvimento do Estado como um todo. Além disso, apoiamos e promovemos iniciativas como o Floripa Conecta, que tem como objetivo promover diversos vetores econômicos da cidade, além da tecnologia, como música, arte, cultura, turismo, design, marketing, audiovisual, gastronomia e esportes.

​ Se estes setores, além de educação, saúde, transporte, comércio e a qualificação do nosso mercado não se desenvolver no mesmo ritmo, ou além das empresas de tecnologia, nosso polo estará em grande risco. Queremos Santa Catarina forte em todos os aspectos, para que possa comportar e acompanhar o crescimento do setor de tecnologia de forma saudável, e se desenvolver da maneira mais igualitária possível, garantindo condições adequadas de vida aos que aqui vivem e trabalham.

Daniel Leipnitz, presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate)

 

 

Fonte: Assessoria de Imprensa da SANTA CATARINA Industrial Land, Portal de Notícias DN Sul, Folha de S. Paulo

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